Infecção pós-gripe causa perda capilar intensa

Em períodos como o inverno, quando há maior circulação viral e as pessoas tendem a permanecer em ambientes fechados, é comum que haja aumento nos casos de gripe ou outras infecções respiratórias.
Embora muitos pacientes se recuperem dessas doenças rapidamente, algumas podem notar uma queda intensa dos cabelos — conhecida tecnicamente como eflúvio telógeno—, um quadro clínico que pode aparecer não semanas após os sintomas iniciais, mas sim cerca de dois a três meses depois da recuperação do mal – estar.
Entendendo por que ocorre no pós – infecção
Segundo especialistas na área, o vínculo entre quadros infecciosos graves e essa perda capilar está ligado à resposta inflamatória extrema. A Dra. Natalia Cymrot explica que as infecções desencadeiam em todo organismo um estado altamente inflamatório capaz de desregular completamente o ciclo normal dos folículos pilosos; isso interrompe prematuramente a fase ativa de crescimento (anágena), forçando muitos fios para a fase natural de queda (telógeno.
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O processo é descrito como difuso — ou seja, não há falhas localizadas —, autolimitado por natureza e reversível com tratamento adequado do corpo.
Como os hormônios influenciam?
Além da inflamação geral que ocorre quando combatemos vírus em nosso organismo, fatores hormonais também desempenham papel. O Dr. Daniel Cassiano detalha o mecanismo: ao enfrentar uma infecção intensa, o sistema imunológico trabalha aceleradamente na liberação de citocinas e outros mediadores inflamatórios para eliminar agentes causadores das doenças no Corpo humano.
Esse processo se associa a um aumento nos níveis de certos hormônio relacionados — como é o cortisol —, somado à redução temporária do aporte adequado de oxigênio e nutrientes aos folículos pilosos.
Conforme aponta ainda o médico diretor da Sociedade Brasileira de Dermatologia– Regional São Paulo (SBD – RESP), essa combinação faz com que grande quantidade maior dos fios entre antes do tempo em fase de queda. Por isso, ele ressalta: quanto mais intensa ou prolongada for uma infecção na pessoa, tende a ser também seu impacto sobre todo ciclo capilar.
Quais outras doenças podem causar perda?
A Dra. Natalia Cymrot alerta para os riscos associados à gravidade das enfermidades contraídas no período pós – infeccioso. Embora até mesmo um quadro simples como gripe possa desencadear o eflúvio telógeno, as complicações são maiores quando há quadros severos e longos com febre alta envolvida.
No caso específico da covid-19, por exemplo, ela explica que além de provocar intensa inflamação persistente meses após a positividade dos exames laboratoriais, ainda pode haver alterações na coagulação sanguínea — formando microtrombos —, ou possível efeito direto do vírus nos folículos pilosos; é extremamente comum observar esse tipo de queda em pacientes recuperados dessa doença.
Além disso, outras infecções sérias também estão associadas ao surgimento desse quadro. A médica cita pneumonias, escarlatina, coqueluche, tuberculose e malária como exemplos adicionais, juntamente com dengue, HIV e Influenza.
Quando procurar ajuda profissional
A gravidade da internação hospitalar eleva a chance ainda mais: quadros moderadosgraves que exigem pernoite no hospital ou aqueles acompanhados por anemia, disfunções hormonais (como diabetes) ou deficiências nutricionais são os pacientes considerados de maior risco para desenvolver o eflúvio telógeno.
Em relação ao tempo do quadro, geralmente essa queda aparece entre um mês e três meses após passar pela infecção. A duração média é também similar — variando em 1 até 3 meses —, mas espera – se uma recuperação completa dos fios dentro de seis a doze meses depois.
Apesar da natureza autolimitada desse tipo de perda capilar na maioria das vezes, há sinais que exigem investigação dermatológica imediata. Segundo dados fornecidos pelo SBD – RESP, enquanto no caso comum haverá cabelos caindo sem falhas bem definidas ou áreas delimitadas; o teste físico pode mostrar muitos pelos saindo por tração (como durante banho), porém um exame mais detalhado revela vários folículos curtos e ativos ao longo desses mesmos meses.
O alerta deve ser acionado quando houver padrões diferentes: como placas localizadas — sugerindo alopecia areata —, ou rarefações em formato triangular típico do padrão androgenético.
A Dra. Natalia Cymrot reforça ainda a necessidade de investigar se há sinais inflamatórios visíveis na pele da cabeça dos pacientes— vermelhidão, dor intensa ou descamações excessivas. É mandatório procurar avaliação médica adicional com tricoscopia e exames laboratoriais caso haja histórico endócrino complicado, perda ponderal significativa (perda rápida de peso), sangramentos incomuns no corpo humano atau uso recente dessas medicações específicas.
Para ajudar o processo natural de recuperação capilar é fundamental controlar as possíveis deficiências nutricionais — como ferro, vitamina D, B 12 e ferritina —, além do suporte psicológico. O controle adequado tanto das infecções quanto dessa inflamação pode reduzir drasticamente os riscos para a saúde dos folículos pilosos.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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