Itaú BBA Projeta Aumento Preços Energia Eletrica Devido a El Niño em 2026

Itaú BBA projeta elevação significativa nas tarifas de energia elétrica devido às consequências do fenômeno climático El Nino já em 2026.

30/06/2026 08:30

4 min

Parque eólico da CPFL no Rio Grande do Norte
Parque eólico da CPFL no Rio Grande do Norte

Mudanças climáticas como ondas de calor e o enfraquecimento dos ventos no Nordeste podem alterar significativamente os preços da energia elétrica brasileira em 2026. Segundo um relatório emitido pelo Itaú BBA sobre os efeitos potenciais do El Niño, esse fenômeno climático deve aumentar tanto a demanda por eletricidade quanto as dificuldades para manter o equilíbrio entre oferta e consumo energético nacional.

O banco aponta que mesmo uma ocorrência moderada desse evento eleva naturalmente o uso de eletricidade durante períodos mais quentes na primavera ou início do verão. Além disso, há alterações nos regimes pluviométricos: enquanto algumas regiões perdem precipitações (Norte Nordeste), outras tendem a receber volumes maiores no Sul; tudo isso impacta diretamente toda a cadeia energética brasileira.

El Niño ameaça previsibilidade da geração elétrica

Um dos pontos críticos levantados pelo Itaú BBA é como os ventos alísios são afetados em um cenário El Niñano típico. O enfraquecimento desses gradientes de pressão reduz drasticamente o fluxo consistente que alimenta grande parte das usinas eólicas localizadas na região Nordestina, onde se concentra quase todo o parque gerador do país.

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“O El Niño frequentemente diminui as pressões atmosféricas necessárias para impulsionar fluxos consistentes alimentadas pelos ventos alísios sobre a costa nordeste,” explica ainda o relatório bancário. Consequentemente, há uma maior variabilidade tanto no curto quanto no longo prazo da geração por vento; isso torna esse tipo de energia menos previsível em relação à rede elétrica.”

Setores elétricos: quem deve ser beneficiado

Apesar dos riscos climáticos e aumento na volatilidade esperada nos preços energéticos do segundo semestre deste ano, os analistas consideram que empresas ligadas ao setor utilities podem se destacar como grandes beneficiárias gerais durante um episódio El Niño.

Nas distribuidoras regionais, a expectativa é positiva para aquelas com forte exposição aos estados Sudeste ou Centro – Oeste. O relatório cita Energisa e Equatorial neste sentido por terem maior presença nessas áreas de alta demanda impulsionada pelas temperaturas acima da média em regiões metropolitanas importantes.”

Volatilidade favorece geradoras específicas. Já no segmento das usinas geradoras (Geração), o Itaú BBA prevê uma volatilidade acentuadíssima nos preços dos contratos futuros devido às possíveis ondas de calor que pressionam os valores atuais do mercado.

“Nesse cenário, preferimos empresas mais propensas a revisões positivas para seus lucros durante o terceiro ou quarto trimestres,” destaca o banco. Por isso, aponta Eneva e Axia como companhias com maior potencial em capturar esse movimento favorável.”

Impactos climáticos fora da energia

O impacto não se restringe ao setor elétrico; outras grandes cadeias produtivas — incluindo agronegócio, logística e finanças— também são avaliadas pelo Itaú BBA quanto à resiliência frente às mudanças do clima.

No campo agrícola, a SLC Agrícola e Brasil Agro aparecem entre as empresas mais resistentes aos efeitos. Isso ocorre porque uma parte significativa das áreas plantadas pela SLC está no Centro – Oeste, região onde o banco espera que os impactos sejam menos severos.”

Risco de chuvas abaixo da média. A principal preocupação setorial recai sobre operações na área MATOPIBA (formada por Tocantins com partes dos estados Maranhão, Piauí e Bahia), pois perdas de produtividade podem ocorrer caso se confirme um cenário persistente de pouca chuva.

“No entanto,” ressalta a análise do Itaú BBA, “níveis mais altos em mecanização ou sistemas avançados de irrigação devem compensar parcialmente as dificuldades enfrentadas pelas concorrentes que são menos tecnificadas.”

Logística fluvial e risco financeiro

Para o setor logístico, há alertas específicos. A Hidrovias do Brasil pode ser prejudicada por alterações no regime dos rios; níveis baixos poderiam limitar severamente a capacidade geral de navegação para transporte de cargas importantes na região Sudeste.

“Caso El Niño altere os padrões pluviométricos nessas regiões cruciais,” afirma ainda o relatório sobre logística flutuante, “o impacto provavelmente se tornará mais visível ao final do terceiro trimestre ou início do quarto.”

Em relação às companhias ferroviárias Rumo e randon (que atua com equipamentos rodoviários), as implicações são consideradas limitadas em 2026. Contudo, qualquer desaceleração no fluxo logístico pode pesar diretamente tanto nos volumes transportados quanto nas vendas dos caminhões de apoio à atividade agropecuária.

Por fim, na área financeira, devido à alta exposição que possui crédito rural para a produção agrícola brasileira, o Banco do Brasil é apontado como um das instituições financeiras potencialmente mais vulneráveis ao cenário climático adverso previsto pelo relatório.**

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