Lula busca reciprocidade contra tarifas americanas de 25%

Lula intensifica esforços diplomáticos buscando revogar tarifas americanas que afetam café e carne bovina.

24/07/2026 10:22

3 min

Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil

O governo brasileiro continuará negociando esforços diplomáticos visando afastar a imposição da tarifa americana de 25% sobre diversos itens exportados do país. Segundo Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as negociações também buscarão ampliar exceções às tarifas já estabelecidas.

Na quinta – feira (23), em conversa com jornalistas, ele detalhou que os trabalhos se concentram tanto no afastamento dos custos mais altos quanto na expansão das listas de isenção à taxa de 12,5%, aplicada ao Brasil por suposta falha global no combate à importação de bens feitos sob trabalho forçado.

Estratégia diplomática perante Estados Unidos

O Ministro Márcio Elias Rosa enfatizou o foco do presidente Lula nas constantes rodadas de negociações. Ele afirmou ser crucial “afastar a imposição dos 25% […] e para que a gente possa ter… a ampliação da lista de exceções”.

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Entre os produtos brasileiros considerados prioritários em pauta com Washington estão itens como café e carne bovina. A listagem atual das isenção é aplicável não apenas ao Brasil, mas também aos demais países envolvidos na medida globalmente imposta.

Posicionamento sobre tarifas americanas

Questionado se seria melhor abandonar instrumentos legais perante os EUA, o ministro Márcio Elias foi firme: “O governo brasileiro não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade”. Ele argumentou que abrir mão desse direito significaria prejudicar a proteção dos interesses econômicos do país.

“É óbvio que o interesse primário é negociar”, reforçou ainda ele, ressaltando como as tarifações são “extremamente injustas e muito danosas”.

Contestação das novas taxas. Elias classificou a tarifa de 12,5%, imposta pelos Estados Unidos por suposta falha na proibição de mercadorias feitas com trabalho forçado, como “indevida, ilegítima e ilegal”, baseada em fatos inexistentes. O ministro prometeu: “O Brasil vai contestar, protestar e vai adotar todos os mecanismos e meios para rechaçar essa imposição”.

Impacto econômico dos novos tributos

Apesar da resistência diplomática às tarifas americanas, o MDIC informou que cerca de dois mil produtos exportados não estão sujeitos nem à tarifa nova (12,5%) nem ao sobretaxa adicional de 25%. Produtos específicos, a exemplo de celulose ou pescados, pagarão somente pela taxa mais baixa.

Há também itens como calçados, máquinas, equipamentos, peças componentes confecções e químicos — desde que sejam diferentes farmacêuticos —, cujos produtores enfrentarão uma dupla taxação no valor total de 37,5% para venda nos EUA. O Brasil está incluído entre os países sob essa alíquota após investigações americanas relacionadas às falhas globais em proibir bens feitos com trabalho forçado.

Preparativos internos: Lei do Soberano

Em relação ao plano “Brasil Soberano III”, o ministro Márcio Elias Rosa garantiu estar pronto para acolher setores atingidos pela tarifa americana de 12,5%. Ele explicou que a lei sancionada pelo presidente Lula permite regulamentar tanto inclusões quanto exclusão desses segmentos econômicos afetados pelas decisões dos Estados Unidos.

O Comitê criado no âmbito da nova legislação será responsável por disciplinar como se aplicará um dever específico de garantia de emprego nos setor produtivo impactado. O MDIC também destacou sua prioridade em preparar os mercados brasileiros e buscar diversificação comercial fora do eixo americano.

Próximos passos internacionais

“Ainda não fizemos [a aplicação das regras], faremos na próxima semana”, disse Elias sobre o cronograma interno, mas reforçou que a primeira interação entre as partes ocorrerá somente em fevereiro, após levantamentos detalhados serem concluídos pelo governo brasileiro.

Além disso, ele mencionou outra meta crucial: organizar manifestações para apresentar ao âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), buscando discussões de negociação no momento adequado.”

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