Nafisa Tosh Revela Segredos das Maiores Casas de Luxo

Nafisa Tosh revela detalhes exclusivos das criações mais desejadas pelas maiores marcas internacionais e clientes celebridades.

27/07/2026 08:52

4 min

Nafisa Tosh
Nafisa Tosh

No universo do luxo e da alta costura— seja em um ateliê na Itália ou no cenário de Monte Carlo —, existe uma regra não escrita que rege os bastidores dos grandes nomes da moda global. Nenhuma das pessoas envolvidas, especialmente aquelas com habilidades manuais para criar as maravilhas vestíveis mais comentadas do mundo, pode revelar detalhes sobre seu ofício.

Essa tradição mantém o foco apenas no produto final brilhante sob os holofotes; contudo, é justamente atrás dessa vitrine cintilante que se escondem histórias ricas e talentos singulares. Nafisa Tosh personifica esse contraste: a alfaiate londrina responsável por finalizar alguns dos looks mais icônicos em tapetes vermelhos de Hollywood está finalmente contando sua trajetória profissional sem comprometer sigilo quanto aos seus clientes famosos.

A mestria invisível da alta costura

O trabalho de Nafisa consiste essencialmente em encaixar as criações das maiores grifes do planeta no corpo humano — seja ressuscitando peças vintage, como os modelos Prada guardados há anos nos acervos ou remodelando itens já considerados perfeitos após um desfile Chanel.

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Ela é uma entre poucas profissionais autorizadas por grandes marcas a intervir e cortar metros estratégicos que sustentam o status dessas roupas quase obras de arte.

Sua capacidade técnica abrange todo ciclo produtivo: ela desenha modelagens base para novas coleções, gradua tamanhos específicos dos clientes, busca tecidos com sua rede de contatos, corta materiais complexos e costura protótipos iniciais até as primeiras provas vestuário.

Segundo Nafisa Tosh, em muitas casas do setor cada etapa exige especialistas diferentes; “Eu acabo sendo a pessoa capaz de realizar todas as etapas do processo”, explica – se sobre seu papel como uma solução completa no ateliê.

De mestres renomados ao legado familiar

A carreira da alfaiate londrina é marcada por um círculo estrelado de aprendizado profissional que moldou suas habilidades obsessivas pela técnica perfeita. Ela aprendeu o rigor quase religioso com Alexander McQueen — carinhosamente chamado Lee —, valorizando profundamente sua precisão artesanal e dedicação à moda.

Outra influência marcante foi Karl Lagerfeld, cujas lições foram a importância do empenho absoluto na arte vestível; “O senso de brincadeira era muito diferente do Lee, mas [a] dedicação dele à moda era suprema”, recorda Nafisa.

No entanto, as bases mais valiosas vieram da infância: seu pai, Hafeez Tosh, um alfaiate indiano que emigrou para Londres nos anos 1960. Foi com ele que ela compreendeu o conceito físico de construir uma silhueta através das roupas. Ela lembra – se vividamente como construiu um paletó perfeitamente equilibrado usando entretelas e enchimentos em clientes cujos ombros estavam desalinhados ou cujo peito estava largo demais; “Quando o tal homem vestiu a peça, era outra pessoa”.

A luta por visibilidade no setor do luxo

Desde cedo, Nafisa observou as complexidades da indústria fashion: embora fascinante pelo talento envolvido, não é fácil para os profissionais serem reconhecidos igualmente pelos méritos artísticos de seu trabalho. Na época, ela sentia que havia uma injustiça com relação ao pai.

“Não entendia como alguém tão talentoso quanto meu pai podia ser excluído das casas renomadas em Savile Row [a mais famosa rua mundialmente conhecida pela alfaiataria londrina] apenas devido à cor de sua pele”, conta a profissional.

Apesar desses obstáculos iniciais e do fato de ter começado no setor na década de 1990 trabalhando junto a um fornecedor barato da Oxford Circus — o chamado “de baixo” —, Nafisa nunca perdeu os olhos para seu ofício. Ela brincou sobre conseguir criar peças incríveis com materiais duvidosos, mas também alertou que ouvir jovens dizerem que começar sem experiência é perda de tempo ignora toda essa evolução hierárquica.

“Cabe a mim trazer meu trabalho para os holofotes.

O impacto da roupa na autoestima

Apesar das exigências técnicas diárias — como lidar com o alto calibre dos VIPs —, Nafisa mantém um foco constante: fazer sentir à pessoa que veste algo incrível poder conquistar qualquer desafio. Ela descreve essa sensação de confiança máxima.

“Em 2017 fiz prova ajustando terno verde Prada em Tom Holland; ele me disse recentemente que este continua sendo seu traje favorito”, conta, citando a importância emocional dessas peças para os clientes famosos e estrelas do cinema.

Essa experiência mostra não apenas sua habilidade técnica incomparável ao modificar roupas usadas por celebridades gibi Tilda Swinton ou Pedro Pascal, mas também uma leitura apurada das pessoas envolvidas no processo vestuário — um tipo de observação difícil de ser ensinada com diplomas acadêmicos.

Nafisa Tosh conclui reforçando o valor dos artesãos: “Por que não destacar as pessoas que fazem o trabalho de verdade? Onde estariam os estilistas sem profissionais como eu e meu pai?”.

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