Polícia Federal prende empresário na Operação Exchange em SP

Polícia Federal prende empresário em operação complexa; R 10 bilhões são bloqueados como parte investigação internacional sobre tráfico de drogas.

03/07/2026 10:20

4 min

Ao todo, mais de 50 policiais federais cumprem 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Foto: Divulgação/PF
Ao todo, mais de 50 policiais federais cumprem 11 mandados de pr...

A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange nesta manhã de sexta – feira em São Paulo com objetivo de desarticular uma organização suspeita que atua no lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

As investigações apontam para um esquema sofisticado, e as autoridades tiveram como principais alvos empresários Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira — presa durante o curso da operação —, além de Victor Henrique de Oliveira Shimada, considerado foragido até este momento pela Justiça brasileira.

Escopo das prisões: 10 bilhões reais bloqueados

Em âmbito nacional, mais de cinquenta policiais federais estiveram mobilizados. A ação cumpriu onze mandados de prisão temporária e treze buscas por apreensão no estado de São Paulo, abrangendo não apenas a capital paulista.

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Os agentes também foram às ruas em cidades vizinhas à metrópole, como Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Além disso, o Judiciário determinou um amplo bloqueio financeiro que atinge bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite impressionante de R 10,4 bilhões.

Como funciona o esquema criminoso

Segundo informações da Polícia Federal (PF), os suspeitos são acusados por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no Brasil.

A investigação detalha uma estrutura financeira complexa utilizada para movimentar recursos oriundos do tráfico internacional. O grupo operava com transações envolvendo diferentes meios: desde a manipulação em criptomoedas ou grandes repasses bancários,

até mesmo operações que envolviam transporte físico de grande volume de espécie entre pessoas físicas e jurídicas.

Sanções dos EUA contra rede ligada ao PCC na Flórida

O caso ganha contornos internacionais devido às sanções impostas pelos Estados Unidos (EUA). De acordo com o Departamento do Tesouro americano, Victor Shimada foi acusado no dia 1º da semana passada por integrar uma rede financeira suspeita.

Nos termos americanos, ele seria um operador financeiro crucial para a lavagem de dinheiro em apoio à facção criminosa PCC. Ele atuaria como elo vital que conectava integrantes dessa organização baseados na Flórida aos traficantes internacionalmente.

Impactos das restrições americanas. Stella Stefanie é apontada pelo mesmo órgão federal quanto colaboradora próxima e responsável pela intermediação tanto da coleta física de grandes quantias em espécie quanto do suporte logístico às operações ilícitas realizadas pelos envolvidos no esquema brasileiro – americano.

É importante notar o efeito dessas sanções: elas possuem caráter estritamente financeiro, não sendo uma condenação criminal ou ordem direta de prisão nos EUA. Na prática, todos os bens dos alvos que estejam sob controle norte – americano ficam bloqueados automaticamente; além disso, instituições brasileiras são proibidas de realizar qualquer transação com eles.

Outras apurações e posicionamentos legais

No Brasil também há investigações em curso sobre Victor Shimada envolvendo um contrato específico entre Corinthians Futebol Clube e a casa de apostas Vaide Bet. O Ministério Público paulista analisou movimentações onde empresas ligadas ao empresário apareceram.

Embora as autoridades não afirmem publicamente o envolvimento direto do PCC por parte dele neste caso local, sustenta que ele faz parte de um fluxo financeiro cujas conexões se cruzaram com pessoas mencionadas nas outras acusações relacionadas à facção.

Defesas dos acusados. As defesas tomaram conhecimento da Operação Exchange: Yuri Cruz, advogado de Victor Shimada, afirmou em nota negar “veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro”. Ele garantiu fazer uma análise técnica completa após ter acesso aos autos.

Por sua vez, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira declarou não terem sido fornecidas as decisões judiciais nem provas que sustentam os bloqueios. Por isso, considerou prematura se manifestar sobre o caso e informou adotará todas as providências jurídicas cabíveis assim que analisar oficialmente todo processo.

As sanções americanas são consideradas pioneiras neste tipo de medida contra brasileiros por suposta ligação ao PCC desde quando outros grupos como Comando Vermelho ou do governo Donald Trump foram classificados internacionalmente em listas terroristas.

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