Ânima compra FMU por R 410 milhões; earn-out pode aumentar valor

A Ânima anunciou nesta semana o plano para recomprar as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e desembolsará um total de R 410 milhões pela instituição.
O pagamento será realizado em duas etapas: os primeiros R240 milhões serão pagos no fechamento da transação; com os valores restantes — cerca de R 170 milhões —, haverá prazo até dezembro de 2029. Além disso, este montante pode ser acrescido por meio de *earn – out*, valor condicionado ao desempenho futuro que a FMU apresentar nos próximos anos.
Alto múltiplo gera questionamentos sobre o negócio
Apesar do anúncio oficial, a operação não foi bem recebida pelo mercado financeiro e gerou diversos apontamentos negativos quanto à avaliação dos ativos. Segundo um relatório divulgado pelo Citi, esta aquisição implica em múltiplos elevados: são observados dez vírgula seis vezes (em relação aos últimos 12 meses) ou mesmo sete vírgula sete vezes após considerar sinergias no EBITDA da empresa.
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O alto valuation levantou dúvidas tanto entre investidores quantos ao momento estratégico para alocação de capital por parte da Ânima na área educacional brasileira.
Essa situação reacendeu uma antiga especulação que circula há anos sobre o setor:
investidores questionam se haveria alguma cláusula contratual preexistente dando à própria Ânima direito a recomprar os ativos, pelo preço já estabelecido em um acordo anterior.**
Complexidade financeira e histórico turbulento
A trajetória recente das FMU é marcada pela instabilidade societária; nos últimos 13 anos, as faculdades passaram pelas mãos de diversos controladores diferentes.
Em mais detalhes históricos: foi vendido pelos fundadores da família Alves da Silva ao grupo americano Laureate por volta de R 1 bilhão no ano de 2013. Oito anos depois disso, o controle passou para a Ânima como parte dos bens brasileiros adquiridos na transação avaliada inicialmente em R 4,4 bilhões com os ativos laureates.**
Disputas jurídicas e legado imobiliário
Além das questões financeiras complexas do negócio — que envolvem uma recuperação judicial pendente sobre cerca de R 130 milhões —, há um passivo significativo relacionado aos contratos de aluguel.
A discussão principal gira entre a família Alves da Silva (antigos fundadores) e as instituições envolvidas. Em 2013, quando venderam o controle operacional para Laureate, eles mantiveram posse dos imóveis onde funcionavam vários campi por meio de contrato *sale and leaseback*.
Isso significava obrigações mensais com os antigos donos no valor aproximado de quatro milhões reais.**
Os conflitos surgiram seis meses após essa venda inicial: enquanto FMU alegou problemas prediais nos locais — como dívida de IPTU —, fontes informaram que valores devidos aos proprietários chegariam perto de R 300 milhões em disputas arbitrais sob sigilo.
A posição da Ânima diante das controvérsias
Em nota oficial, a própria Ânima tentou se distanciar dos rumores mais fortes. A companhia afirmou categoricamente que “esta aquisição não tem relação com nenhum contrato da época da compra dos ativos laureates no Brasil”, negando qualquer vínculo contratual prévio sobre o preço atual.**
No entanto, os contratos de aluguel continuam vigentes e é incerto qual será quem assumirá esses pagamentos daqui para frente; por isso, fontes consultadas pelo EXAME Insight indicaram até mesmo preparativos pela família Alves da Silva em ações de despejo contra as FMU.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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