Etanol foi só o começo: corrida brasileira por combustíveis verdes ascende

A corrida por combustíveis verdes no Brasil está avançando para além do etanol: o país busca agora biometano, Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e hidrogênio verde em um esforço contínuo pela transição energética global.
Segundo especialistas da área, a liderança brasileira na produção biocombustível — consolidada desde os anos 70 com Proálcool – mostra que “Etanol e Biodisel já são uma página virada”, indicando foco nas novas frentes energéticas. O setor entende hoje como sendo capaz não apenas de produzir combustível limpo em escala nacional, mas também se posicionar como motor mundial nesse processo.
Biogás: o lixo urbano vira ativo energético
O biometano representa atualmente a frente mais avançada dessa busca por fontes renováveis no país. Produzido pela purificação do gás liberado durante a decomposição orgânica dos resíduos sólidos urbanos (RSU), ele conta com um insumo abundante na realidade brasileira — justamente o volume gerado pelo descarte diário.
Leia também
“Já temos uma capacidade instalada significativa em biometano,” afirma Marília Garcez, diretora de Economia Circular da Orizon; “o desafio é criar um mercado que acompanhe esse potencial.” Os números mostram grande crescimento: segundo dados divulgados pelo CIBiogás Panorama do Biogás, a produção nacional quase triplicou entre 2020 e 2025. Projeta – se ainda mais aumento superior aos 50% no período compreendido entre 2026 e 2028.
A escala industrial na transformação dos resíduos. Nesse cenário, empresas como a o maior referência em biometano por RSU até hoje — Orizon —, operam diversas plantas que transformaram passivos ambientais (lixões) em ativos energéticos valiosos. Em PaulíniaSP, um exemplo disso é onde cerca de 4,5 mil toneladas de lixo chegam diariamente para gerar não só energia elétrica ou gás comum, mas também créditos de carbono do ciclo virtuoso criado pela destinação adequada da matéria – prima.
Além das grandes cidades e aterros sanitários, especialistas apontam uma grande oportunidade no campo: os resíduos agropecuários podem ser usados na produção localizada de metano. A Embrapa já desenvolve mini – reatores voltados a produtores menores que buscam reduzir o uso diésel nas fazendas por meio dos próprios restos agrícolas como soja ou eucalipto.**
Petrobras investe em SAF e Hidrogênio Verde
Enquanto biometano avança com foco nos rejeitos urbanos, também há um movimento forte vindo da maior petroleira do país (Petrobras). Ela está ampliando sua participação na transição energética através de subsidiárias dedicadas ao biorrefino.
A companhia não só mantém suas operações históricas no biodiesel— operando usinas importantes em Montes ClarosMG e CandeiasBA —, mas já avançou significativamente no Combustível Sustentável de Aviação. Em junho de 2026 , a Petrobras concluiu o primeiro lote comercializado desse combustível usando óleo de soja obtido por coprocessamento na Refinaria Duque de Caxias ( Reduc )— um marco importante para provar que SAF pode ser produzido com certificação ambiental, sem incentivar desmatamentos.*
Em termos financeiros, foi aprovado US 1,2 bilhão (cerca de R 6 bilhões) pelo Conselho de Administração da empresa. Esse valor será destinado ao projeto RPBC Biorrefino em CubatãoSP e visa criar uma fábrica dedicada exclusivamente aos combustíveis renováveis; sua operação está prevista apenas para 2030.
A grande peça comum a todas essas tecnologias — biometano avançado ou o combustível fóssil— é justamente o hidrogênio verde. Segundo Felipe Alvarez, diretor da Ubrabio, “Todo combustível tem carbono”, explicando que sem fontes alternativas desse gás não se consegue formar as moléculas necessárias.**
O desafio econômico: escala versus demanda
Embora tecnologicamente possível produzir energia limpa de diversas formas no Brasil – como já provaram etanol e biodiesel —, os desafios atuais são predominantemente estruturais e financeiros. O custo do SAF pode chegar até sete vezes mais caro que um querosene derivado do petróleo.
“Para uma usina funcionar financeiramente aqui,” calcula Álvarez, seria necessário consumir entre 40% a 50% da produção pelas próprias companhias aéreas para cumprir metas legais; o restante teria dificuldade em ser exportado devido às barreiras comerciais internacionais.”, detalhou ele.**
O setor reconhece essa complexidade: não basta ter tecnologia ou insumo abundante (como no caso dos lixões). É preciso garantir previsibilidade de demanda por pelo menos vinte anos. Por isso, os executivos apontam que hoje na agenda brasileira e mundial, sustentabilidade deixou de ser apenas um tema ambiental passageiro.
A pergunta central é se será possível repetir com sucesso esta história — a transição do etanol ao biometano avançado —, superando as dificuldades econômicas para consolidar o Brasil como líder global em combustíveis verdadeiramente verdes.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
Aqui no ZéNewsAi, nossas notícias são escritas pelo José News! 🤖💖 Nós nos esforçamos para trazer informações legais e confiáveis, mas sempre vale a pena dar uma conferida em outras fontes também, tá? Obrigado por visitar a gente, você é 10/10! 😊 Com carinho, equipe ZéNewsAi 📰 (P.S.: Se encontrar algo estranho, pode nos avisar! Adoramos feedbacks fofinhos! 💌)


