Growth Supplements enfrenta alta nos custos da proteína devido à demanda crescente por whey protein

O mercado brasileiro de suplementos alimentares registrou um crescimento anual estimado em 15%, mas o setor enfrentou uma surpresa inesperada no ciclo econômico mais recente. Em vez da queda esperada, a alta do ano foi expressiva — subindo até 120% e pegando toda a indústria por desprevenida.
Quem sentiu esse impacto diretamente na operação é Growth Supplements, sediada em Tijucas (SC). Fundada pelos irmãos gêmeos Fernando e Eduardo Rosa Dasi pela internet quando o comércio eletrônico ainda era incipiente, a empresa fechou os negócios em 2025 com faturamento superior aos R 2 bilhões de reais e contando com cerca de 1.400 funcionários; ela figura como líder no setor segundo dados apontados pela Euromonitor.
O custo da proteína: alta demanda versus insumo escasso
Apesar do sucesso comercial, um desafio gigantesco surgiu nos custos das matérias – primas que ninguém consegue mais adquirir por preços baixos. O concentrado proteico derivado do soro do leite é fundamental para qualquer pote de whey protein vendido hoje na prateleira.
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Esse processo começa nas queijarias locais, onde o resíduo após a fabricação do queijo serve justamente como matéria – prima suplementar — e esse suprimento tem limite físico natural em sua origem.
Para piorar os cálculos dos gestores, houve uma explosão simultânea da demanda vinda de duas frentes distintas: primeiro são as canetas injetoras medicamentosas (classe GLP-1), usadas no tratamento médico contra perda de peso; segundo ponto crucial apontou Diego Rodrigues.
A “proteinização” está acontecendo por todo tipo de supermercado inteirodesde iogurtes até pães —, fazendo com que marcas nunca ligadas ao nicho se joguem pela mesma fonte proteica. Rodrigues explicou o cenário complexo dizendo aos jornalistas sobre a disputa acirrada entre grandes players históricos e multinacionais globais pelo insumo.
Estratégias para absorver custos sem repassar tudo
Com os preços do concentrado disparando, Growth Supplements teve um plano inicial focado em eficiência operacional após assumirem as rédeas da empresa; contudo, quando Rodrigues chegou à companhia no início de 2025, ele encontrou uma realidade muito diferente das projeções.
O preço internacional subiu drasticamente: enquanto antes era negociado por volta dos 10 ou 11 dólares o quilo WPC (80%), hoje está na casa dos 25 dólares. Apesar desse aumento que elevou a matéria – prima globalmente e fez com que cotação chegasse aos €22 mil pela tonelada na União Europeia nas primeiras semanas de maio, Growth reajustou seus preços em cerca de 15%.
Esse repasse não chega nem perto da metade do quanto os custos aumentaram.
Para manter sua essência como custo – benefício para consumidores brasileiros — um ponto muito valorizado —, Rodrigues detalhou três frentes estratégicas. A primeira envolveu reduzir o tamanho das embalagens; ele argumenta que muitos clientes acabam consumindo seu suplemento ao longo de dois ou até três meses, tornando a compra inicial maior demais no orçamento mensal.
A segunda frente foi adaptar as linhas com menor concentração proteica (como WPC 60), visando quem busca mais sabor e cremosidade sem ter objetivos tão extremos de alta performance física em mente. É preciso cuidado nessa comunicação: evitar qualquer comparação direta à indústria do chocolate sobre mudanças na composição.
O futuro da proteína além dos lácteos
Por fim, Growth está investindo também nas proteínas alternativas — como ovo, bovina e vegetais —, embora o volume ainda seja pequeno por conta das restrições alimentares ou sensoriais que os consumidores apresentam ao tentar substituir a experiência clássica do whey protein.
Rodrigues reforça essa visão ampla quando menciona outras fontes proteicas já existentes no leite, citando caseinato para quem busca saciedade gradual durante todo um dia de dieta, diferentemente daqueles atletas em fase pós – treino intenso. A empresa não vê sinais de encolhimento; pelo contrário, aponta crescimento constante na categoria geral dos suplementos.
Apesar da volatilidade global apontada pela consultora StoneX — analista Juliana Torres alerta sobre possível correção nos preços caso o consumo caia —, Rodrigues rejeita totalmente qualquer tese cíclica que preveja a queda do mercado como ele fazia antes.
Ele lembra aos leitores e ao setor: “Você tem que estar sempre atento, porque tudo muda o tempo todo”.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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