Sebrae aponta que empresas abordam sustentabilidade em operações

Sebrae destaca que empresas implementam práticas sustentáveis em operações, mas foco em ações sociais ainda é limitado devido às prioridades do consumidor.

07/07/2026 12:12

3 min

micro e pequenas empresas
micro e pequenas empresas

O tema do impacto social ainda representa uma fatia pequena na agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) das pequenas e médias empresas no Brasil. Um levantamento feito pelo Sebrae aponta dados importantes sobre como as corporações abordam essa pauta.

A pesquisa revela que 70% dessas companhias já implementaram alguma prática ligada à sustentabilidade em suas operações; contudo, a proporção varia muito dependendo de qual eixo temático é analisado pela amostra estudada.

Diferença entre pilares da Sustentabilidade

Enquanto o quesito governança aparece nas práticas do maior número — atingindo 87,2% dos casos —, os aspectos ambientais são observados por cerca de três quartos das empresas (75%). No entanto, quando se trata especificamente de iniciativas sociais, as corporações somam apenas 56,4%.

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Esse dado sugere que muitas companhias ainda tratam questões sociais como algo secundário ou paralelo ao seu negócio principal.

Por outro lado, esse cenário regulatório está forçando uma mudança no comportamento consumidor brasileiro.

Propósito e a escolha na compra

Segundo o estudo Mercado da Maioria, realizado pela PwC, houve um aumento significativo na atenção do público às causas apoiadas pelas marcas nos últimos dez anos. Hoje, nada mais distante disso: quase metade dos consumidores brasileiros (55%) diz observar essas pautas com muito mais rigor em suas decisões de consumo.

Isso mostra que propósito deixou de ser apenas diferencial para se tornar fator decisivo tanto nas escolhas quanto na percepção geral sobre produtos comercializados pelo mercado.

Incorporando impacto ao modelo de negócio. Diante desse cenário, algumas companhias estão decidindo incorporar a causa social diretamente no próprio cerne da operação e não tratá – la como uma ação isolada ou filantrópica pontual. A Machu Picchu Energy é um exemplo dessa abordagem desde o início das atividades pela startup.

A marca liga seu desenvolvimento constante de bebidas funcionais à erva – mate com incentivos voltados para os esportes ao ar livre, bem – estar coletivo e manutenção permanente em causas sociais diversas na América Latina. Bernardo Paiva, sócio – fundador da empresa, explica essa mudança estratégica: “Consumidores, investidores e parceiros passaram a olhar para as empresas de uma forma mais ampla.”

Impacto social como valor central

“Hoje, não basta oferecer apenas um bom produto. As pessoas querem entender quais valores sustentam aquele negócio”, analisa ainda o executivo.

Essa visão tem gerado que cada vez são vistas companhias incorporando impacto genuíno ao seu modelo operacional, observando até mesmo esse reflexo direto no desempenho financeiro das organizações envolvidas. Edu Lyra, fundador do projeto Gerando Falcões e sócio da Machu Picchu Energy, reforça essa ideia: “As empresas podem e devem ser agentes de transformação”.

Ele complementa dizendo que quando impactar social deixa de ser uma ação isolada para integrar a estratégia central dos negócios, ele gera valor tanto na sociedade quanto em oportunidades duradouras.

Projeção financeira com propósito

A atuação internacional também é um pilar importante dessa marca; por exemplo, apoia o desenvolvimento comunitário através da organização Gerando Falcões no Brasil ou trabalha junto à ONG Alto Peru no Peru.

“Nos Estados Unidos”, aponta ainda Paiva, “somos parceiros do A Walk on Water, grupo que usa surfe como terapia infantil”. Além disso, dedica 1% de sua receita total às iniciativas voltadas ao desenvolvimento infanto – juvenil. Essa estratégia não só fortalece a missão social em diferentes países — incluindo participação na parceria Pacto pela Cultura 2030 com Unesco —, mas também impulsiona os resultados econômicos.

Após consolidar suas operações nos EUA e chegar o mercado brasileiro, Machu Picchu Energy projeta um faturamento entre R 5 milhões e R 8 milhões para 2026. Para Bernardo Paiva, esse crescimento comprova que propósito positivo anda lado a lado com resultado financeiro sólido.

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